Andava a arrumar uma caixa de peças cinzentas quando um amigo me atirou para o grupo de WhatsApp uma esquina de Londres que fechava como uma caixa e abria como um livro. Larguei as peças. Fui ver.
Por trás de Enola Holmes está o BRICKUP, que publicou o projeto no LEGO Ideas a 10 de julho de 2026. A 21 de outubro de 2026 tem 900 apoiantes, por isso está no início do caminho, ainda longe da primeira meta dos 5.000.
A ideia é um módulo compacto com um truque de abertura. Fechado, parece uma esquina vitoriana qualquer, com arquitetura de época, cabeçalhos de jornal e piscadelas aos casos dos três filmes. Aberto, revela três cenas: o exterior da rua, o escritório da detetive com secretária, lupas e cartas misteriosas, e uma sala secreta nas traseiras onde a Enola planeia a próxima jogada num quadro de ardósia. Vem com uma minifigura da Enola, pronta a olhar diretamente para nós e a quebrar a quarta parede, tal como no ecrã. São cerca de 700 peças, pela estimativa do autor.
O mecanismo de dobra é a melhor coisa deste projeto, e é também a razão pela qual gosto dele apesar de não acreditar que a LEGO o aprove.
Deixem-me explicar.
Um módulo que fecha numa pegada pequena e abre em três cenas é das coisas mais satisfatórias que um construtor pode fazer. Arrumas uma esquina de Londres na estante e, quando apetece, abres uma casa inteira de detetive. Para quem tem o problema que eu tenho, que é espaço de prateleira a menos e peças a mais, isto resolve metade da equação.
O problema é o outro lado da equação, e é a licença. Enola Holmes é Netflix, três filmes com a Millie Bobby Brown, e a Netflix não é propriamente uma parceira fácil no LEGO Ideas. Olhem para o historial: a LEGO fez sets da Stranger Things e do Wednesday, sim, mas em linhas próprias e com a máquina de marketing a acompanhar. Um projeto de fã de uma série de nicho da Netflix é um candidato natural à prateleira do "não conseguimos fechar os direitos".
E há a sobreposição de tema que me faz coçar a cabeça. Uma esquina vitoriana de 700 peças com um detetive lá dentro é, no fundo, Sherlock Holmes com outro nome e uma personagem mais nova. A LEGO sabe que vende a fãs adultos com cartão de crédito, e não tenho a certeza de que o público dos filmes da Enola seja o mesmo público que compra um set do Ideas a sério.
Vão conseguir os direitos da Netflix para esta personagem? Vale a pena uma esquina vitoriana nova quando já têm o Diagon Alley e meio período vitoriano no catálogo? E os 900 apoios de três meses chegam para manter o ritmo até aos 5.000, quanto mais aos 10.000?
Olhem, o modelo não tem culpa de nada disto. O conceito está bem pensado, a arquitetura está lá, e a minifigura a quebrar a quarta parede é uma piada que funciona em peças. Se isto fosse um MOC numa exposição, eu parava a olhar durante dez minutos.
Não sei qual é o apetite da LEGO para mais um período de época no Ideas, e posso estar completamente enganado quanto à licença. Já aprovaram coisas contra as quais eu teria apostado. Por agora, vejo um projeto bonito com uma montanha pela frente, e a parte da montanha que mais me preocupa é quem assina do outro lado, não os apoios.
Enola Holmes
- Peças (estimativa do autor): cerca de 700
- Publicado: 10 de julho de 2026
Apoiavam este? E acham que a LEGO consegue fechar os direitos da Netflix, ou isto fica em módulo e nunca chega a caixa? Digam-me nos comentários.
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